segunda-feira, 30 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo
SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo | "De Saulo de Tarso a São Paulo", inaugurado em setembro de 2004 em comemoração aos 450 anos da cidade o mural de 120m2 e um vitral de 5 metros de altura com a figura do santo São Paulo, feito pelo artista plástico Enio Squeff e participação de mais de 100 populares, desapareceu em 2010 sem o consentimento do artista.
São Paulo, maio 2011
Amigos,
acabo de saber que o Sesc Itaquera desmontou o painel que fiz em 2004, como parte dos 450 anos de São Paulo.
Além da pintura e de um grande vitral, representando o santo São Paulo, cem – 100 – corpos humanos, principalmente de Itaquera, foram devidamente gravadas no painel. As pessoas – vale dizer, homens, mulheres, crianças – consentiam em se despir atrás de um biombo.
Tinham seus corpos pintados e, em seguida, eram, então, carimbadas no painel. Até informação contrária, foi a primeira vez que uma obra, em nossa cidade, se compôs com a impressão corporal de pessoas.
Mais do que um mural, pretendia-se registrar, de forma indelével, os corpos de alguns paulistanos do ano da graça de 2004. Para a obra, a propósito, colaboraram não apenas os físicos dos itaquerenses, reproduzidas em acrílico, mas uma composição musical de Willy Correa de Oliveira e a dança de 40 bailarinos coordenados pelo coreógrafo Ricardo Iazzetta, o Zetta.
Ambos, por encomenda do Sesc, reuniram músicos e bailarinos, respectivamente. E inauguraram o painel, agora descartado.
Não discuto minha obra. Ao contrário do que foi prometido pela direção do Sesc, eu seria notificado sobre qualquer possível remoção do mural. E isso não aconteceu.
Alguns amigos, aconselharam-me a processar judicialmente o Sesc. Seria a resposta adequada a um ato de violência iconoclástica. E por parte de uma instituição que diz promover e zelar pelas obras de arte que ela mesma encomenda. No caso, porém, deu-se o desprezo puro e simples, principalmente pelos corpos impressos de dezenas de pessoas da nossa sofrida cidade.
Ou seja, na sugestão de que fosse às vias jurídicas, eu talvez obtivesse alguma compensação material – mas não teria recuperados os corpos que o Sesc pretende sejam o lixo da história, por não pertencerem aos bairros ditos "nobres", de São Paulo.
Não me atraem, em suma, comparações com atos deletérios do passado. Ou com o desprezo por pessoas que não se inserem na nomenclatura nobiliárquica de São Paulo. Restar-me-ia, portanto, prestar continência aos mentores do atentado. De preferência, a bater com retinência os calcanhares, no estilo a que talvez devessem se seguir os "passos de ganso", de macabra memória.
Deixo, porém, à história o julgamento do atentado. Mais do que compensações, ele depõe contra uma instituição que se pensa acima do bem e do mal. E a qual cabe inquirir se é disso que se espera de quem recebe dinheiro que o Estado deixa de arrecadar.
Lamentável, para ser gentil.
Para saber mais, acesse porrasesc.wordpress.com.
Enio Squeff
Artista plástico e jornalista.
VER VÍDEO
http://www.youtube.com/watch?v=D35NGq-eAKc
São Paulo, maio 2011
Amigos,
acabo de saber que o Sesc Itaquera desmontou o painel que fiz em 2004, como parte dos 450 anos de São Paulo.
Além da pintura e de um grande vitral, representando o santo São Paulo, cem – 100 – corpos humanos, principalmente de Itaquera, foram devidamente gravadas no painel. As pessoas – vale dizer, homens, mulheres, crianças – consentiam em se despir atrás de um biombo.
Tinham seus corpos pintados e, em seguida, eram, então, carimbadas no painel. Até informação contrária, foi a primeira vez que uma obra, em nossa cidade, se compôs com a impressão corporal de pessoas.
Mais do que um mural, pretendia-se registrar, de forma indelével, os corpos de alguns paulistanos do ano da graça de 2004. Para a obra, a propósito, colaboraram não apenas os físicos dos itaquerenses, reproduzidas em acrílico, mas uma composição musical de Willy Correa de Oliveira e a dança de 40 bailarinos coordenados pelo coreógrafo Ricardo Iazzetta, o Zetta.
Ambos, por encomenda do Sesc, reuniram músicos e bailarinos, respectivamente. E inauguraram o painel, agora descartado.
Não discuto minha obra. Ao contrário do que foi prometido pela direção do Sesc, eu seria notificado sobre qualquer possível remoção do mural. E isso não aconteceu.
Alguns amigos, aconselharam-me a processar judicialmente o Sesc. Seria a resposta adequada a um ato de violência iconoclástica. E por parte de uma instituição que diz promover e zelar pelas obras de arte que ela mesma encomenda. No caso, porém, deu-se o desprezo puro e simples, principalmente pelos corpos impressos de dezenas de pessoas da nossa sofrida cidade.
Ou seja, na sugestão de que fosse às vias jurídicas, eu talvez obtivesse alguma compensação material – mas não teria recuperados os corpos que o Sesc pretende sejam o lixo da história, por não pertencerem aos bairros ditos "nobres", de São Paulo.
Não me atraem, em suma, comparações com atos deletérios do passado. Ou com o desprezo por pessoas que não se inserem na nomenclatura nobiliárquica de São Paulo. Restar-me-ia, portanto, prestar continência aos mentores do atentado. De preferência, a bater com retinência os calcanhares, no estilo a que talvez devessem se seguir os "passos de ganso", de macabra memória.
Deixo, porém, à história o julgamento do atentado. Mais do que compensações, ele depõe contra uma instituição que se pensa acima do bem e do mal. E a qual cabe inquirir se é disso que se espera de quem recebe dinheiro que o Estado deixa de arrecadar.
Lamentável, para ser gentil.
Para saber mais, acesse porrasesc.wordpress.com.
Enio Squeff
Artista plástico e jornalista.
VER VÍDEO
http://www.youtube.com/watch?v=D35NGq-eAKc
quarta-feira, 18 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
ESCULTURAS DA MINHA TERRA
Já postei anteriormente algumas dessas imagens. Recentemente, em outra passagem por Salvador, fiz algumas novas. A escultura possou por uma limpeza e algo que foi classificado como restauração, incluindo a remodelagem da mão direira com punhal do negro à frente. Me pareceu que foi pintada., mas não posso afirmar, e quanto a remodelagem talvez tenha sido modelado e fundido em metal, tentarei encontrar essas informações.
terça-feira, 5 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
domingo, 27 de março de 2011
sábado, 26 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
EU KISLANSKY
Uma amiga me chamou atenção para sonoridade desses dois nomes. Kosminsky e Kislansky.
Kosminsky parece ser a outra face de Kislansky. A face voltada para dentro.
Certa vez passava uma tarde com meu pai na sala de seu apartamento, estava de férias e aproveitava para lhe fazer companhia. Ele já estava bastante doente, tinha 73 anos, sentou-se em sua cadeira reclinável, coloquei uma gravação da patética de Tchaicovisky, abri meu clarinete e toquei. Toquei outras canções que estudara e também um pouco de flauta. A sala estava forrada com minhas pinturas, na maior parte de mulheres nuas. Destacava-se especialmente uma pintura maior, um strip-tease num teatro de ópera. Meu pai relaxava e ouvia música enquanto lhe contava sobre minhas escolhas, procurando um modo de falar que possibilitasse uma ponte entre nós. Sabia o que ele queria ouvir e me esforçava para traduzir minhas paixões em algo concreto e que inspirasse nele a confiança que queria conquistar.
Certa vez passava uma tarde com meu pai na sala de seu apartamento, estava de férias e aproveitava para lhe fazer companhia. Ele já estava bastante doente, tinha 73 anos, sentou-se em sua cadeira reclinável, coloquei uma gravação da patética de Tchaicovisky, abri meu clarinete e toquei. Toquei outras canções que estudara e também um pouco de flauta. A sala estava forrada com minhas pinturas, na maior parte de mulheres nuas. Destacava-se especialmente uma pintura maior, um strip-tease num teatro de ópera. Meu pai relaxava e ouvia música enquanto lhe contava sobre minhas escolhas, procurando um modo de falar que possibilitasse uma ponte entre nós. Sabia o que ele queria ouvir e me esforçava para traduzir minhas paixões em algo concreto e que inspirasse nele a confiança que queria conquistar.
O diálogo com o mundo, em boa parte, não foi diferente disso. Muito raramente encontrei vozes e ouvidos para os quais não precisei dar explicações. Por fim acabei me acostumando a isso. Aprendi a traduzir meus desejos em conceitos palatáveis aos práticos do mundo e, acredito, com algum prejuízo para meu anjo sonhador. Arranjei um lugar onde ele sobrevive, e sempre que o chamo tem se apresentado, um tanto quebrantado, mas disposto a dar a sua contribuição para uma existência mais útil.
De fato, um dia de trabalho “prático”, reuniões, projetos, explicações convincentes, mesmo que remuneradas, não poucas vezes me dão uma sensação exata de inutilidade.
Creiam, para um artista é claro, um dia de ateliê é um balsamo de vitalidade, mesmo que termine com aquela estranha pergunta: Afinal, para que faço tudo isso?
Difícil de explicar, principalmente ao meu pai, naqueles dias, há 22 anos atrás.
Naquela tarde, em certo momento, ele me disse: “não sei o que fazer por você, nunca imaginei ter um filho assim.” Depois disso, despretensiosamente, olhando para duas pequenas pedras que havia talhado, soltou um vaticínio: “acho que com isso você pode ganhar algum dinheiro.”
Ignorei.
Lutei com a pintura e com o clarinete o que pude, e não foi pouco. Lentamente o destino foi se apresentando e comprovando o que meu pai intuía e, não sei exatamente por que força de atração, as coisas se confirmaram.
A escultura se tornou uma profissão e hoje cuido, não sem conflitos, dos meus dois anjos: o de dentro e o de fora.
Daí, talvez, seja de fato o Kislansky a face voltada para fora.
sábado, 19 de março de 2011
EU KOSMINSKY
Escrevo apenas para me ver ou para re-experimentar sensações. Se trago essas histórias para cá, para a tela do computador, é pela simples necessidade de pensar de uma forma mais concreta. Talvez a pintura também me servisse, mas estou a tanto tempo distante, sem praticar e cansado das suas dificuldades que optei pela escrita, algo que faço sem compromisso e sem critérios e, principalmente, sem pretensões profissionais. O profissionalismo é ótimo, mas muito chato, por pouco não me mata a escultura e as aulas que tanto gostava de dar. Aqui, ao menos, há um prazer novo, por mais que corra o risco do ridículo.
Serei ridículo mas feliz, e como diz meu filho, “ponto”.
Vivi a eterna dicotomia dos Kislansky versus Kosminsky. Os ricos versos os pobres, os certos versos os errados. Muitas vezes me senti Kislansky, muitas vezes me senti Kosminsky. Algumas vezes consegui inverter a lógica, algumas quase a perdi. Flutuei entre meu pai e minha mãe ao sabor dos momentos da minha vida até chegar ao ponto de, finalmente, compreendê-los fora de mim. Herdei o nome Kislansky, mas me penso hoje como outro ser, não necessariamente certo ou errado, pois, evidentemente, sempre serei ambos. Mas vivi uma experiência angustiante, dividido por amor, interesses, desamores, como um pêndulo acompanhando os atritos entre meu pai e minha mãe, entre os Kislansky e os Kosminsky.
O gigantismo da família Kosminsky, são nove tios, dezenas de primos, tios avós, primos distantes e a miudeza dos Kislansky, apenas meu pai e uma prima, talvez faça das comparações algo desleal, pois será sempre mais fácil encontrar dificuldades no grupo mais numeroso. Os Kosminsky eram pródigos em atenções, afetos e problemas, enquanto ao Kislansky restou o lugar de pai provedor cujo sentido da vida era a certeza de que o único meio de colaborar com uma existência plena e digna para seus filhos era convencê-los da necessidade do sucesso financeiro. O histórico de meu pai o impeliu a isso e também os limites de cada ser humano, afinal somos apenas isso.
Se não aprendi com meu pai, a vida encarregou-se de deixar clara a sua parcela de razão.
Para minha sorte, apenas uma parcela. Essa experiência me deixou dividido, cindido ao meio e se, em certos momentos, consigo reunir as partes, dando à dimensão pecuniária sua devida proporção, o mais das vezes o conflito se apresenta sem que eu o perceba...
Para minha sorte, apenas uma parcela. Essa experiência me deixou dividido, cindido ao meio e se, em certos momentos, consigo reunir as partes, dando à dimensão pecuniária sua devida proporção, o mais das vezes o conflito se apresenta sem que eu o perceba...
A veia artística só exacerbou o problema. Não consigo focar no dinheiro. Sem dúvida preciso e gosto dele mais do que admito e, como a maioria, passo muito mais tempo em sua busca do que havia planejado. Porém tenho conseguido uma façanha que admito custou e custa um bocado de esforço: meus projetos e trabalhos são muito ligados ao que sonho como artista e acredito como homem. Os resultados são limitados ao tamanho de minha capacidade e ao acaso das oportunidades. E assim cumpro meus dias no que diz respeito a essa equação entre a labuta pelo feijão e arroz, que alimenta esse corpo tão amado e maltratado, e essa outra fome deste ser abstrato - seria nossa alma? - e sem a qual ficamos igualmente desnutridos.
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