quinta-feira, 11 de agosto de 2011

INFORMAÇÕES SOBRE OFICINA EM SALVADOR - SETEMBRO 2011

OFICINA DE ESCULTURA
com  Israel Kislansky

Dias 23 e 24 de setembro
Sexta, das 20 as 22h

Palestra
A FUNDIÇÃO ARTÍSTICA NO BRASIL
Dias 23 setembro
Sexta, das 20 as 22h

Topicos:
A fundição em metal de obras de arte no Brasil;
A técnica da fundição artística por cera perdida;
A fundição artística européia na atualidade;
Monumentos e escultores brasileiros.

 

Prática
A MODELAGEM DO CORPO HUMANO
Dia 24 setembro
Sábado, das 09 as 13h e das 14 as 18h

Topicos:
Técnica de modegem em argila;
Cabeça e torso.


Informações e inscrições:
(71)  8714.7604
kislansk8@hotmail.com
Local:
Rua São Paulo, 682, 2º andar
Pituba, Salvador - Ba

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Por Fernando Rios, após uma visita a Exposição, seguida de parada ocasional em boteco na Praça da Sé, numa terça feira, às seis da tarde, para degustação de costelas de boi regada a uma boa cachaça...


ISRAEL KISLANSKY
ESCULTURAS PARA SEREM ESCULPIDAS PELO OLHAR

kislansky é um judeu baiano.
ou um baiano judeu.
ou nem uma coisa nem outra.
também é um brasileiro com cara de europeu. ou não. ou um europeu com cara de brasileiro.
(afinal de contas, qual é a cara do brasileiro?)
(pode ter a cara de kislansky, brasileiro de corpo e alma.)

há muito tempo, kislansky tomou a si a mesma tarefa divina
(mas sem a intermediação da costela)
de transformar barros em seres humanos homens e mulheres
à imagem e semelhança de deus brasileiro
e baiano e multifacial e multicorporal e multirracial

e de tantos e tantos transformares
ele transformou o barro em gente
e gente em bronze

e kislansky apregoava caladamente que ali estavam suas criações

aquelas, de antes, se apresentavam na íntegra, figuradas, e diziam e continuam dizendo que são aquilo que são

naquele tempo, kislansky era objetivo,
plasticamente objetivo,
poeticamente objetivo,
nas expressões, nos gestos que suas mãos moldavam e registravam

aqueles homens eram solidamente ternos, leves, sensuais
aquelas mulheres eram solidamente ternas, leves, sensuais
aquelas figuras humanas continuavam a ser
em frente dos olhares que as perscrutavam.
ternas, leves, sensuais.

elas diziam a que vieram
elas eram aquilo que diziam ser

agora, kislansky abandonou seu ar divino.
ele pode ter dito:
- deus que se dane em mim. eu que me dane em deus!

e então foi novamente ao barro e criou figuras
figuras matizadas, coloridas
figuras colorindo-se

agora, são quaisquer figuras
lembram e remetem para humanas figuras
à espera de serem recriadas pelos olhos dos transeuntes.

as novas figuras de kislansky não existem nelas mesmas
elas existem e querem existir na emoção de cada olhar emocionante
e emocionado.
elas insistem em existir na poesia que deixam escorrer
e encontra um olhar atento e sensível

elas são criaturas em criação
e permitem serem recriadas pelos olhos

e quando as vemos,
em cada tempo seguinte,
temos a certeza de que não são mais as mesmas

agora, as criaturas são e estão sempre à espera e diante de um criador
não são mais criaturas de kislansky
ele criou-as livrearbitrariamente
e, como melhor criador ainda, despossuiu-se delas

elas são propriedades de quem as vê e as recria
e serão sempre recriaturas diante de recriadores

agora, kislansky se despiu de sua divindade
e a oferece às pessoas para que elas,
divinamente,
passem a criar, a possuir e a despossuir aquelas poéticas figuras
que se esfumaçam e se concretizam
e se esfumaçam e se concretizam
e se esfumaçam e se concretizam
diante de cada novo olhar


e então,
transcendentalmente,
desmisteriosamente,
poeticamente,
figuras
seres
seres humanos, talvez,
criaturas, sim,
enigmas que se propõem
devidamente recriados,
caminham para onde...
desfilam diante de kislansky,
o criador


fernado rios,
são paulo, agosto, 2011.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

OFICINA DE ESCULTURA

Sempre as quartas, estarei recebendo artistas e estudantes com o objetivo de aperfeiçoar e trocar informações sobre o metier da escultura.
Da moldagem à fundição em bronze, da modelagem em argila ao desenho, os grupos terão acesso a informações técnicas, bibliografia e trabalho prático.
O ateliê possui forno para queima dos originais e equipamento para entalhes manuais.
Durante o dia ocorrem sessões com modelo vivo para a prática de modelagem e desenho.

às quartas-feiras
das 09 as 12h ou 14 as 17h


informações
2609.9171
i.kislansky@ig.com.br
 Local: Rua Teodoro Sampaio, 855, 1B, Pinheiros - SP

terça-feira, 12 de julho de 2011

MARAGOJIPINHO







Estive lá recentemente para fazer as fotos para a exposição A COR DO CORPO.
Pegamos o barco no Mercado Modelo, em Salvador, eu, meu filho Igor e Lucas, meu sobrinho, e chegamos em Mar Grande, Itaparica. De lá, de carro, levamos cerca de 50 minutos para voltar ao continente, já no Reconcavo Baiano, e chegar a Maragojipinho, passando por Nazaré das Farinhas.
Isso mesmo, mandioca e argila não faltam na região - e peixe evidentemente. Não falta muita coisa, é um lugar abençoado, mas paradoxalmente pobre. Mais uma façanha brasileira.
A argila por lá é terra mesmo. Se encontra assim, no meio da rua, na estrada. Está pronta. É só misturar um pouco de água, ou se estiver com preguiça esperar chover, pegar um bocadinho e fazer o que quiser. Gostaria de ficar lá um tempinho. Quem sabe um dia.

domingo, 10 de julho de 2011

OBRIGADO.

Obrigado ao Gilberto Habib, a Sylvia Leite, Antonio Carmo, Paulo Esteves, Priscila Corbo e todos que trabalharam na montagem da exposição e um obrigado especial ao meu amigo Newton Santana por ter me cedido o espaço para produzir as últimas obras. A exposição está pronta e segue a partir de hoje sua breve jornada de dois meses.
Haverão atividades educatrivas e visitas guiadas. Será também um prazer acompanhar os amigos pessoalmente.
Nos falamos.
Abs, ik

terça-feira, 5 de julho de 2011

E as peças ainda estão no forno

Prezados amigos! A essa hora dois fornos ainda queimam esculturas para a mostra de sábado. O catálogo está sendo impresso e a exposição ainda é uma série de rabiscos do Gilberto. A partir de quinta-feira começará certamente uma tensão de véspera de espetáculo, muita apreensão e um prazer inigualável. Esculturas, painéis, suportes, iluminação, cenários... tudo para que o público receba seu quinhão de emoções. É a hora do artista fazer sua função.

Preparei um pequeno texto, a terceira postagem abaixo, que, acredito, simbolizam o espírito desta mostra. Serve como aperitivo. Aguardo vocês na hora que subir a cortina.
Um grande abraço, ik

quinta-feira, 30 de junho de 2011

EXPOSIÇÕES


Nos próximos dois finais de semana estarei inaugurando mostras em São Paulo.
Neste sábado, dia 02, participo de uma coletiva de desenhos na Galeria AVA, na Vila Madalena e dia 09, no outro sábado, acontecerá a vernissage da minha exposição individual na CAIXA Cultural da Sé.
Na CAIXA Cultural apresentarei a mostra A COR DO CORPO.
São cerâmicas e fotografias que tratam das incríveis possibilidades da argila. As peças são apresentadas em suas cores naturais ou esmaltadas, onde contei com a ajuda de ceramistas que gentilmente cederam-me fórmulas e seus fornos para as experiências com as cores.
Depois de minha passagem pelo SENAI, com o projeto para o Centro Técnico em Fundição Artística, meu olha nunca mais foi o mesmo em relação aos meios que dispomos. Fui, de certo modo, mordido pelo bichinho da ciência e é um pouco desse aspecto que apresento junto das obras.
Ao tentar esclarecer o que é a argila ou o porque das cores me vi surpreendido pela ampliação do mistério e fascínio pelas transformações da matéria.
Convido a todos para esses encontros com o desenho e o barro nos quais estarei lá para recebê-los carinhosamente.

Um grande abraço,
Israel Kislansky

EXPO 5X1
Galeria AVA
Rua Mateus Grou, 513A, Vila Madalena
Vernissage, dia 2 de julho das 11 às 17h

A COR DO CORPO
CAIXA Cultural São Paulo
Praça de Sé, 111, Centro
Vernissage, dia 9 de julho as 11h

domingo, 26 de junho de 2011

E DO BARRO SE FEZ TUDO


Certa vez me aconselhou a gravadora e aquarelista Iole di Natale a procurar minha cor subjetiva. 
Seria curioso esse tipo de classificação para um fenômeno físico, não fosse o fato da própria realidade objetiva da cor possuir certa poesia, uma vez que tudo se passa relacionado a capacidade da matéria em dar e receber íons e, por fim, dos cristais, capazes de refletir e absorver cor, que se formam deste conúbio. 
De fato meu caminho em direção à cor surgiu basicamente em torno de um desejo e consequentemente de um prazer. O prazer exclusivo proporcionado pela energia que emana de certas cores e que é difícil de explicar.
Afinal, por que o azul? Por que aquele azul e não outro? Por que aquele que detesto agrada tanto à alguns? Por que vibro, gozo, por que não me canso de olhar para aquele azul?
São razões, sem dúvida, subjetivas. 
O artista é  movido quase que exclusivamente por razões similares e nenhuma outro meio de expressão é tão cativante quanto a cerâmica, quando o assunto é cor.
Em primeiro lugar, pela incerteza. A cor na cerâmica, fruto de transformações criadas pelo calor, nos prega tantas surpresas quanto mais seguros estamos. Abrir um forno é, e sempre será, uma emoção, inclusive para os mais experientes. 
Logo, aquela cor criada é sempre, de algum modo, fruto de uma certa casualidade. Um pouco mais de óxido de ferro numa simples terracota a tornará mais avermelhada do que o esperado. Nos fornos a gás, cada parte interna do forno poderá aquecer de modo diferente fazendo o esmalte trabalhar mais ou menos do que o planejado. Sem falar das técnicas artesanais, como o rakú ou queimas à lenha, onde os resultados serão sempre uma incógnita. 
Olhamos para essas peças recém saídas dos fornos com uma curiosidade de quem procura a beleza. Seremos sempre surpreendidos por algo novo.
Em segundo lugar não se deve esquecer a qualidade dessa cor. Como sabemos, a cor é  a capacidade da matéria de absorver certos raios de luz e refletir outros. Justamente o que não é refletido, mas absorvido, é o que vemos. Será a "força" da geografia e energia molecular de cada matéria a responsável pela qualidade dessa cor.
Na cerâmica, a cor é o resultado das transformações/combinações dos minerais que compõem as massas cerâmicas e esmaltes, por intermédio do calor, e cuja cristalização cria um resultado extremamente estável e durável. Por isso encontramos hoje, nos museus ao redor do mundo, antigas cerâmicas egípcias, chinesas, gregas e seus esmaltes e engobes em prefeito estado, por vezes em cores vivas e vitrificadas, muitas delas com mais de 4.000 anos de idade. 
Podemos compreender melhor essa questão se compararmos essas cores às pigmentações e tintas sintéticas feitas na atualidade, a partir do petróleo, cuja constituição molecular é complexa e frágil. Esses corantes são compostos por cristais facilmente suscetíveis ao rompimento e produzem em pouco tempo o comum e triste desbotamento. Em cerâmica, ao contrario, se produz a cor utilizando os cobaltos, cadmios, lítios, cobres e tantos outros minerais puros, ou casados entre si, compostos com fundentes e vidrados. Após a queima, restam apenas sólidos cristais de cores.
Há ainda o fascínio da terra. As cores naturais proporcionadas pelas variedades de argila são passíveis de todos os tipos de adjetivos. São ternas, quentes, mesmo as brancas, são convidativas ao toque e nos remetem novamente a um mundo subjetivo: o amor ao chão, o prazer de andar descalço sobre a terra molhada, o barro, a lama e o corpo.
Por fim, o corpo. O corpo feito dessa substância, pois, como se sabe, “do barro se fez o homem”. Esse corpo que volta à terra. A terra que é feita de rochas, que são minerais, que são matéria inorgânica. 
Essa matéria "sem vida” é também responsável por ela, pois a maior parte da vida orgânica se alimenta do solo, de sua capacidade de armazenar sais e gerar vida.


Esta terra que nos recebe e nos alimenta também nos oferece a si própria como matéria moldável. Foi com ela que aprendemos a fazer potes, jarras, pratos, brinquedos, máscaras, enfeites... com ela nos divertimos e sonhamos. 
E assim chegamos ao âmago do homem, sua alma, que transforma por fim esta matéria inorgânica em magia e arte. 
Esse ciclo faz pensar no singelo e simples barro, em sua imensa colaboração, no plano prático e anímico, para nossa civilização. Sem dúvida, um patrimônio que, talvez, pela abundância e modéstia, não seja mais frequentemente lembrada, mas que cabe aqui ressaltar.
Podemos dizer que do barro se fez tudo, uma vez que com ele se fez o útil e o imaginário.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

NA POSTAGEM ABAIXO UMA NOTÍCIA E TEXTO DO PINTOR ÊNIO SQUEFF

SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo

SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo | "De Saulo de Tarso a São Paulo", inaugurado em setembro de 2004 em comemoração aos 450 anos da cidade o mural de 120m2 e um vitral de 5 metros de altura com a figura do santo São Paulo, feito pelo artista plástico Enio Squeff e participação de mais de 100 populares, desapareceu em 2010 sem o consentimento do artista.
São Paulo, maio 2011
Amigos,
acabo de saber que o Sesc Itaquera desmontou o painel que fiz em 2004, como parte dos 450 anos de São Paulo.
Além da pintura e de um grande vitral, representando o santo São Paulo, cem – 100 – corpos humanos, principalmente de Itaquera, foram devidamente gravadas no painel. As pessoas – vale dizer, homens, mulheres, crianças – consentiam em se despir atrás de um biombo.
Tinham seus corpos pintados e, em seguida, eram, então, carimbadas no painel. Até informação contrária, foi a primeira vez que uma obra, em nossa cidade, se compôs com a impressão corporal de pessoas.
Mais do que um mural, pretendia-se registrar, de forma indelével, os corpos de alguns paulistanos do ano da graça de 2004. Para a obra, a propósito, colaboraram não apenas os físicos dos itaquerenses, reproduzidas em acrílico, mas uma composição musical de Willy Correa de Oliveira e a dança de 40 bailarinos coordenados pelo coreógrafo Ricardo Iazzetta, o Zetta.
Ambos, por encomenda do Sesc, reuniram músicos e bailarinos, respectivamente. E inauguraram o painel, agora descartado.
Não discuto minha obra. Ao contrário do que foi prometido pela direção do Sesc, eu seria notificado sobre qualquer possível remoção do mural. E isso não aconteceu.
Alguns amigos, aconselharam-me a processar judicialmente o Sesc. Seria a resposta adequada a um ato de violência iconoclástica. E por parte de uma instituição que diz promover e zelar pelas obras de arte que ela mesma encomenda. No caso, porém, deu-se o desprezo puro e simples, principalmente pelos corpos impressos de dezenas de pessoas da nossa sofrida cidade.
Ou seja, na sugestão de que fosse às vias jurídicas, eu talvez obtivesse alguma compensação material – mas não teria recuperados os corpos que o Sesc pretende sejam o lixo da história, por não pertencerem aos bairros ditos "nobres", de São Paulo.
Não me atraem, em suma, comparações com atos deletérios do passado. Ou com o desprezo por pessoas que não se inserem na nomenclatura nobiliárquica de São Paulo. Restar-me-ia, portanto, prestar continência aos mentores do atentado. De preferência, a bater com retinência os calcanhares, no estilo a que talvez devessem se seguir os "passos de ganso", de macabra memória.
Deixo, porém, à história o julgamento do atentado. Mais do que compensações, ele depõe contra uma instituição que se pensa acima do bem e do mal. E a qual cabe inquirir se é disso que se espera de quem recebe dinheiro que o Estado deixa de arrecadar.
Lamentável, para ser gentil.
Para saber mais, acesse porrasesc.wordpress.com.
Enio Squeff
Artista plástico e jornalista.

VER VÍDEO
 http://www.youtube.com/watch?v=D35NGq-eAKc

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

ESCULTURAS DA MINHA TERRA






















Já postei anteriormente algumas dessas imagens. Recentemente, em outra passagem por Salvador, fiz algumas novas. A escultura possou por uma limpeza e algo que foi classificado como restauração, incluindo a remodelagem da mão direira com punhal do negro à frente. Me pareceu que foi pintada., mas não posso afirmar, e quanto a remodelagem talvez tenha sido modelado e fundido em metal, tentarei encontrar essas informações.

terça-feira, 5 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011