terça-feira, 8 de janeiro de 2013

IV WORKSHOP FUNDIÇÃO ARTÍSTICA SENAI


PALESTRA NA PINACOTECA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Caros,
Como parte das programações simultâneas à exposição Fundição Artística no Brasil serão realizadas durante o mês de janeiro, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (programa Sempre às Quintas), uma série de palestras sobre o tema. Conduzirei as duas primeiras, sendo a inicial uma abordagem simultânea sobra as técnica aplicadas na fundição artística e um panorama sobre a situação brasileira. Já a segunda relata a experiência do Centro Técnico em Fundição Artística SENAI na Europa e um panorama sobre o setor de fundição de obras de arte na França, Espanha, Inglaterra e Itália. A entrada é gratuita. 

domingo, 4 de novembro de 2012

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A ARGILA MINERALIZADA DE BRUNO AMARANTE

















Ao falarmos que nós, escultores e ceramistas, trabalhamos com argila, a maior parte das pessoas imaginam que utilizamos algum tipo de barro tirado simplesmente da terra e mais provavelmente a beira dos rios ou córregos. Essa imagem idílica sem dúvida é em parte verdade. Existem argilas que são de fato trabalháveis in natura e se encontram próximos aos rios. Mas a realidade é que existem argilas em quase todas as partes do planeta e nas mais diversas regiões com as mais diversas características geográficas. Essas argilas são provenientes da decomposição milenar de rochas e suas características refratarias e plasticas, ou seja, a capacidade de suportar o calor e condição de ser modelada, variam imensamente. Deste modo existem argilas que são muito moldáveis, mas não suportam altas temperaturas como, por exemplo, boa parte das argilas vermelhas, a famosa terracota; e, por outro lado, as argilas brancas, ricas em quartzo e caulim, que costumam ser muito refratárias, mas pouco plásticas, ou seja, a princípio pouco favoráveis a utilização, em estado puro, para confecção de objetos.

Porém, o que via de regra se utiliza para modelagem e cerâmica, e principalmente em larga escala pela industria, é uma argila beneficiada, mais conhecida como massa ou pasta cerâmica. Normalmente os artistas e ceramistas costumam adquirir estas massas de fornecedores especializados e raramente produzem eles próprios a sua argila. Em Minas Gerais encontramos o escultor Bruno Amarante, um raro exemplo de artista que produz sua própria massa, desenvolvida segundo necessidades expressivas próprias e no intuito de atender uma pequena clientela. Essa produção semi artesanal possui características bem regionais, uma vez que a argila base é mineira e, entre as suas fórmulas, aparecem o minério de ferro.

A produção das massas é realizada de modo bem simples, pois o artista dispõe de poucos equipamentos. Inicialmente a argila base, que é recebida in natura, é seca, triturada por um batedor e transportada para um pequeno galpão. Nessas instalações encontram-se os demais produtos: argilas, sílicas, chamotes, feldspato, entre outros. Todos esses minerais são adquiridos já beneficiados por mineradoras. São “farinhas” de diversas granulometrias e cujas funções e porcentagem fazem parte de um jogo cujo aprendizado é fruto de muita experimentação.

Uma vez pesada e confeccionada a fórmula, esses produtos são despejados em uma betoneira onde é misturada e depois acrescida de água. No fim de poucos minutos brotam de sua boca pedaços irregulares de argila grossa. Toda essa massa é passada por uma maromba com expele, por fim, a argila pronta, tal qual encontramos nos sacos dentro das lojas de materiais cerâmicos.

Essas massas, diferentemente das argilas naturais, são massas com grande variedade e combinações entre cores, refratariedade e acabamentos. São todas moldáveis, podem possuir características de muita rusticidade ou serem extremamente finas e são normalmente queimadas entre 800 e 1300 C. Existem também as massas que são coloridas, ou seja, são acrescidas de pigmento, porém a maior parte das argilas naturais com suas combinações entre seus minérios compositivos, gradiente de temperaturas e tipo de queima são os responsáveis por uma imensa variedade de cores.

A princípio produzir uma massa cerâmica parece se facilmente exeqüível, porém encontrar um equilíbrio entre resistência ao calor, plasticidade, cor, condição de ser moldada, torneada, e mesmo esmaltada com regularidade de resultados, é um desafio constante para os produtores destas argilas.

A argila “mineralizada” de Bruno Amarante, acrescida em sua fórmula de minério de ferro, é uma exemplo da riqueza de possibilidades que a natureza ainda oferece a artistas e artesãos brasileiros.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A ARGILA DE MARAGOJIPINHO


A partir de Salvador, atravessando a Baía de Todos os Santos, de balsa ou ferry-boat, chegamos à Ilha de Itaparica. Por uma estrada, cruzamos a pacata ilha até alcançarmos a ponte do Funil que nos leva de volta ao continente e em direção a uma das mais belas regiões do Recôncavo Baiano. Por esta estrada, que leva a Valença, em pouco menos de quarenta quilômetros, chegamos à famosa “Nazaré das Farinhas" e com mais seis ao pequeno município de Aratuípe.

Em Aratuípe se encontra o distrito de Maragojipinho. Esta antiga aldeia abriga uma longa tradição de cerâmica decorativa, com mais de 100 anos de história, e que nos remete a um dos processos fabris mais antigos da humanidade. Exclusivamente a partir do engenho e força do homem, sem qualquer auxílio de energia elétrica, artistas e artesãos exploram a terra, preparam o barro e produzem - em tornos movidos por movimentos dos pés - potes, pratos e toda sorte de utensílios utilitários e decorativos. Toda essa produção é queimada lentamente em grandes fornos à lenha.

O aspecto avermelhado desta cerâmica é obtido com a “goma de tauá”, espécie de engobe tirada de uma argila muito rica em óxido de ferro. Os arabescos brancos pintados com "tabatinga”, retirada de outra argila, bem como o "brunimento”, polimento da peça em “ponto de couro” antes da secagem definitiva, são feitos exclusivamente pelas mulheres, enquanto aos homens cabem a extração, preparação e criação dos objetos em argila.

Acompanhando todos esses procedimentos podemos facilmente imaginar como trabalhou o homem a partir de 3.000 anos antes de Cristo, uma vez que a cerâmica e o torno já era largamente utilizado no Egito e antigo oriente. O modus operandi daquela época seguramente não diferi substancialmente do que ainda hoje acontece em nosso Recôncavo. Compreender esta singularidade, ao lado da notória qualidade do artesanato da região, faz parte do processo de valoração e consciência da preservação deste fazer. Incorporar novas tecnologias, mesmo que ainda rudimentares, devem ser observados com cautela, uma vez que o próprio modo produtivo é, por si, e simultaneamente, história, ciência e arte.

Fui recebido pelo Senhor Argemiro Costa Neto, o Miro, artesão de Maragojipinho. Foi ele que me apresentou a Natalício Santos, o Natal, natural de Aratuípe, 36 anos de idade e que trabalha há 12 na extração artesanal das argilas. Fui levado a Fazenda Shalom, um pequeno pedaço de terra, a cerca de 1 km de Maragojipinho, onde Natal e sua equipe, um grupo de quatro homens, fazem o trabalho de extração. Este terreno possui grande quantidade de argila sedimentar secundária, ou seja, fruto da longa deposição de minerais argilosos levados pelas águas, ventos e intempéries.

O trabalho realizado por Natal consiste basicamente em cavar buracos e retirar a argila, que desde as primeiras camadas se apresentam abundantes. Com a enxada Natal acumula quantidades de argila dentro das valas que, quando ressecada, são umedecidas e pisadas para formação de grandes pelotas. A argila é transferida, por um ajudante, até um animal de carga. Cada carregamento se faz com cerca de 10 pelotas, pesando cada um, em média, cerca de 30 quilos, formando um total de 300 quilos por viagem. Toda essa argila é depositada em uma pequena cabana e no fim de três a quatro horas pode-se retirar, por dia, até duas toneladas. O trabalho é realizado em sistema de meeiro, sendo a venda rateada entre o proprietário da terra e os extratores. Na região, existem como Natal, cerca de dez homens extraindo e fornecendo regularmente argila aos artesões de Maragojipinho.

À medida que as covas vão se aprofundando as argilas vão mudando de cor e características. As mais superficiais são muito claras, ricas em caulim, mas quebradiças se levadas ao forno. Estas são seguidas por uma argila amarela e depois por outra cinza que se torna mais escura à medida que se aprofunda a escavação. Estas últimas são argilas mais plásticas e moldáveis que na mistura "quebram a dureza” das argilas claras.

Esses poços de extração podem alcançar cerca de 3 metros, porém poços bem menores já oferecem uma variedade grande de argilas. Há ainda terrenos com apenas argilas vermelhas, ricas em óxido de ferro e bastante plástica. Tal qual a amarela pode ser cozida sozinha e ambas produzem, respectivamente, após a queima, uma cerâmica vermelha clara e castanha.

A cerâmica característica da região é realizada com uma mistura dessas argilas, formando uma massa cerâmica cujas porcentagens e modo de preparo é parte desta longa tradição local.


terça-feira, 31 de julho de 2012

AS ARGILAS DE BRUNO AMARANTE































bamarante@gmail.com

www.brunoamarante.com

quarta-feira, 18 de julho de 2012

domingo, 1 de julho de 2012

Workshop fundição artística no SENAI



Acontece entre os dias 29/08 a 01/09 de 2012 o 3º Workshop de Fundição Artística do SENAI que faz parte de uma série de atividades do CENTRO TÉCNICO EM FUNDIÇÃO ARTÍSTICA.

Durante os quatro d...ias do workshop serão apresentadas, em aulas práticas e teóricas, todos as etapas que envolvem a fundição em metal de uma escultura, dos cuidados para moldagem do original à fusão dos metais e pátina da obra final.
O workshop não exige conhecimentos anteriores de fundição artística ou de metais.

Os processos serão apresentados por equipe especializada que trouxe da Europa informações sobre o que há de mais moderno utilizado pelo setor, se aproximando também das tradições seculares que mantêm vivas essas práticas.

São exemplos dessas referências o centro de fundição artística de Pietrasanta, na Toscana, onde são fundidas as obras de Francisco Botero e a fundição francesa Coubertin, responsável pelas novas reproduções de Rodin e Bourdelle. Durante o workshop serão apresentados estes centros e as técnicas aplicadas por cada uma delas.

WORKSHOP

"FUNDIÇÃO ARTÍSTICA POR CERA PERDIDA"
De 29/08 a 01/09 de 2012
De quarta a sábado, das 9 às 17h.
Vagas limitadas a 20 participantes
Carga horária: 32 horas

CONTEÚDO

Moldagem em silicone;
Modelo em cera e canais de alimentação;
Moldes refratários;
Deceragem e calcinação;
Fusão e acabamentos;
Pátinas.

PÚBLICO ALVO

Estudantes;
Técnicos em metalurgia;
Artistas;
Restauradores;
Empresários do setor;
Público em geral.

Local:
Escola SENAI “Nadir Dias de Figueiredo”
Rua Ari Barroso, 305, Presidente Altino, Osasco - SP

CENTRO TÉCNICO EM FUNDIÇÃO ARTÍSTICA SENAI

Desde o final das atividades ligadas a fundição artística do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, nenhuma instituição brasileira investia na qualificação e modernização do setor. O SENAI possuía as condições técnicas e recursos humanos necessários. É aberto o CENTRO TÉCNICO EM FUNDIÇÃO ARTÍSTICA SENAI, cuja missão é recuperar e implementar novas tecnologias a serviço da reprodução de obras de arte em metal. Foram realizados, nos últimos três anos, a capacitação de equipe técnica, investimentos em equipamentos e treinamento para apresentarem ao público os cursos especializados em fundição de obras de arte.

Histórico

Existe oficialmente no Brasil cerca de quinze fundições artísticas. Seus proprietários são, em sua maioria, netos ou artesões que trabalharam com os imigrantes italianos no começo do séc. XX. Esses artesões chegaram ao Liceu de Artes e Ofícios tornando-o capaz de executar, com maestria, os principais monumentos de São Paulo. Alguns escultores também se tornaram importantes fundidores. Este é o caso de Amadeo Zani que, aos 27 anos, exercia o magistério no Liceu convidado pelo engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo. Na década de 30, inaugurou a própria fundição no Rio de janeiro vindo a se tornar, nas décadas seguintes, uma das mais importantes fundições comercial do Brasil. Na década de sessenta foi a Fundição Zani a responsável pela execução dos principais monumentos de Brasília.