quinta-feira, 30 de junho de 2011

EXPOSIÇÕES


Nos próximos dois finais de semana estarei inaugurando mostras em São Paulo.
Neste sábado, dia 02, participo de uma coletiva de desenhos na Galeria AVA, na Vila Madalena e dia 09, no outro sábado, acontecerá a vernissage da minha exposição individual na CAIXA Cultural da Sé.
Na CAIXA Cultural apresentarei a mostra A COR DO CORPO.
São cerâmicas e fotografias que tratam das incríveis possibilidades da argila. As peças são apresentadas em suas cores naturais ou esmaltadas, onde contei com a ajuda de ceramistas que gentilmente cederam-me fórmulas e seus fornos para as experiências com as cores.
Depois de minha passagem pelo SENAI, com o projeto para o Centro Técnico em Fundição Artística, meu olha nunca mais foi o mesmo em relação aos meios que dispomos. Fui, de certo modo, mordido pelo bichinho da ciência e é um pouco desse aspecto que apresento junto das obras.
Ao tentar esclarecer o que é a argila ou o porque das cores me vi surpreendido pela ampliação do mistério e fascínio pelas transformações da matéria.
Convido a todos para esses encontros com o desenho e o barro nos quais estarei lá para recebê-los carinhosamente.

Um grande abraço,
Israel Kislansky

EXPO 5X1
Galeria AVA
Rua Mateus Grou, 513A, Vila Madalena
Vernissage, dia 2 de julho das 11 às 17h

A COR DO CORPO
CAIXA Cultural São Paulo
Praça de Sé, 111, Centro
Vernissage, dia 9 de julho as 11h

domingo, 26 de junho de 2011

E DO BARRO SE FEZ TUDO


Certa vez me aconselhou a gravadora e aquarelista Iole di Natale a procurar minha cor subjetiva. 
Seria curioso esse tipo de classificação para um fenômeno físico, não fosse o fato da própria realidade objetiva da cor possuir certa poesia, uma vez que tudo se passa relacionado a capacidade da matéria em dar e receber íons e, por fim, dos cristais, capazes de refletir e absorver cor, que se formam deste conúbio. 
De fato meu caminho em direção à cor surgiu basicamente em torno de um desejo e consequentemente de um prazer. O prazer exclusivo proporcionado pela energia que emana de certas cores e que é difícil de explicar.
Afinal, por que o azul? Por que aquele azul e não outro? Por que aquele que detesto agrada tanto à alguns? Por que vibro, gozo, por que não me canso de olhar para aquele azul?
São razões, sem dúvida, subjetivas. 
O artista é  movido quase que exclusivamente por razões similares e nenhuma outro meio de expressão é tão cativante quanto a cerâmica, quando o assunto é cor.
Em primeiro lugar, pela incerteza. A cor na cerâmica, fruto de transformações criadas pelo calor, nos prega tantas surpresas quanto mais seguros estamos. Abrir um forno é, e sempre será, uma emoção, inclusive para os mais experientes. 
Logo, aquela cor criada é sempre, de algum modo, fruto de uma certa casualidade. Um pouco mais de óxido de ferro numa simples terracota a tornará mais avermelhada do que o esperado. Nos fornos a gás, cada parte interna do forno poderá aquecer de modo diferente fazendo o esmalte trabalhar mais ou menos do que o planejado. Sem falar das técnicas artesanais, como o rakú ou queimas à lenha, onde os resultados serão sempre uma incógnita. 
Olhamos para essas peças recém saídas dos fornos com uma curiosidade de quem procura a beleza. Seremos sempre surpreendidos por algo novo.
Em segundo lugar não se deve esquecer a qualidade dessa cor. Como sabemos, a cor é  a capacidade da matéria de absorver certos raios de luz e refletir outros. Justamente o que não é refletido, mas absorvido, é o que vemos. Será a "força" da geografia e energia molecular de cada matéria a responsável pela qualidade dessa cor.
Na cerâmica, a cor é o resultado das transformações/combinações dos minerais que compõem as massas cerâmicas e esmaltes, por intermédio do calor, e cuja cristalização cria um resultado extremamente estável e durável. Por isso encontramos hoje, nos museus ao redor do mundo, antigas cerâmicas egípcias, chinesas, gregas e seus esmaltes e engobes em prefeito estado, por vezes em cores vivas e vitrificadas, muitas delas com mais de 4.000 anos de idade. 
Podemos compreender melhor essa questão se compararmos essas cores às pigmentações e tintas sintéticas feitas na atualidade, a partir do petróleo, cuja constituição molecular é complexa e frágil. Esses corantes são compostos por cristais facilmente suscetíveis ao rompimento e produzem em pouco tempo o comum e triste desbotamento. Em cerâmica, ao contrario, se produz a cor utilizando os cobaltos, cadmios, lítios, cobres e tantos outros minerais puros, ou casados entre si, compostos com fundentes e vidrados. Após a queima, restam apenas sólidos cristais de cores.
Há ainda o fascínio da terra. As cores naturais proporcionadas pelas variedades de argila são passíveis de todos os tipos de adjetivos. São ternas, quentes, mesmo as brancas, são convidativas ao toque e nos remetem novamente a um mundo subjetivo: o amor ao chão, o prazer de andar descalço sobre a terra molhada, o barro, a lama e o corpo.
Por fim, o corpo. O corpo feito dessa substância, pois, como se sabe, “do barro se fez o homem”. Esse corpo que volta à terra. A terra que é feita de rochas, que são minerais, que são matéria inorgânica. 
Essa matéria "sem vida” é também responsável por ela, pois a maior parte da vida orgânica se alimenta do solo, de sua capacidade de armazenar sais e gerar vida.


Esta terra que nos recebe e nos alimenta também nos oferece a si própria como matéria moldável. Foi com ela que aprendemos a fazer potes, jarras, pratos, brinquedos, máscaras, enfeites... com ela nos divertimos e sonhamos. 
E assim chegamos ao âmago do homem, sua alma, que transforma por fim esta matéria inorgânica em magia e arte. 
Esse ciclo faz pensar no singelo e simples barro, em sua imensa colaboração, no plano prático e anímico, para nossa civilização. Sem dúvida, um patrimônio que, talvez, pela abundância e modéstia, não seja mais frequentemente lembrada, mas que cabe aqui ressaltar.
Podemos dizer que do barro se fez tudo, uma vez que com ele se fez o útil e o imaginário.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

NA POSTAGEM ABAIXO UMA NOTÍCIA E TEXTO DO PINTOR ÊNIO SQUEFF

SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo

SESC ITAQUERA destrói obra em homenagem a São Paulo | "De Saulo de Tarso a São Paulo", inaugurado em setembro de 2004 em comemoração aos 450 anos da cidade o mural de 120m2 e um vitral de 5 metros de altura com a figura do santo São Paulo, feito pelo artista plástico Enio Squeff e participação de mais de 100 populares, desapareceu em 2010 sem o consentimento do artista.
São Paulo, maio 2011
Amigos,
acabo de saber que o Sesc Itaquera desmontou o painel que fiz em 2004, como parte dos 450 anos de São Paulo.
Além da pintura e de um grande vitral, representando o santo São Paulo, cem – 100 – corpos humanos, principalmente de Itaquera, foram devidamente gravadas no painel. As pessoas – vale dizer, homens, mulheres, crianças – consentiam em se despir atrás de um biombo.
Tinham seus corpos pintados e, em seguida, eram, então, carimbadas no painel. Até informação contrária, foi a primeira vez que uma obra, em nossa cidade, se compôs com a impressão corporal de pessoas.
Mais do que um mural, pretendia-se registrar, de forma indelével, os corpos de alguns paulistanos do ano da graça de 2004. Para a obra, a propósito, colaboraram não apenas os físicos dos itaquerenses, reproduzidas em acrílico, mas uma composição musical de Willy Correa de Oliveira e a dança de 40 bailarinos coordenados pelo coreógrafo Ricardo Iazzetta, o Zetta.
Ambos, por encomenda do Sesc, reuniram músicos e bailarinos, respectivamente. E inauguraram o painel, agora descartado.
Não discuto minha obra. Ao contrário do que foi prometido pela direção do Sesc, eu seria notificado sobre qualquer possível remoção do mural. E isso não aconteceu.
Alguns amigos, aconselharam-me a processar judicialmente o Sesc. Seria a resposta adequada a um ato de violência iconoclástica. E por parte de uma instituição que diz promover e zelar pelas obras de arte que ela mesma encomenda. No caso, porém, deu-se o desprezo puro e simples, principalmente pelos corpos impressos de dezenas de pessoas da nossa sofrida cidade.
Ou seja, na sugestão de que fosse às vias jurídicas, eu talvez obtivesse alguma compensação material – mas não teria recuperados os corpos que o Sesc pretende sejam o lixo da história, por não pertencerem aos bairros ditos "nobres", de São Paulo.
Não me atraem, em suma, comparações com atos deletérios do passado. Ou com o desprezo por pessoas que não se inserem na nomenclatura nobiliárquica de São Paulo. Restar-me-ia, portanto, prestar continência aos mentores do atentado. De preferência, a bater com retinência os calcanhares, no estilo a que talvez devessem se seguir os "passos de ganso", de macabra memória.
Deixo, porém, à história o julgamento do atentado. Mais do que compensações, ele depõe contra uma instituição que se pensa acima do bem e do mal. E a qual cabe inquirir se é disso que se espera de quem recebe dinheiro que o Estado deixa de arrecadar.
Lamentável, para ser gentil.
Para saber mais, acesse porrasesc.wordpress.com.
Enio Squeff
Artista plástico e jornalista.

VER VÍDEO
 http://www.youtube.com/watch?v=D35NGq-eAKc

quarta-feira, 18 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

ESCULTURAS DA MINHA TERRA






















Já postei anteriormente algumas dessas imagens. Recentemente, em outra passagem por Salvador, fiz algumas novas. A escultura possou por uma limpeza e algo que foi classificado como restauração, incluindo a remodelagem da mão direira com punhal do negro à frente. Me pareceu que foi pintada., mas não posso afirmar, e quanto a remodelagem talvez tenha sido modelado e fundido em metal, tentarei encontrar essas informações.

terça-feira, 5 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

domingo, 20 de março de 2011

EU KISLANSKY



Uma amiga me chamou atenção para sonoridade desses dois nomes. Kosminsky e Kislansky.
Kosminsky parece ser a outra face de Kislansky. A face voltada para dentro. 

Certa vez passava uma tarde com meu pai na sala de seu apartamento, estava de férias e aproveitava para lhe fazer companhia. Ele já estava bastante doente, tinha 73 anos, sentou-se em sua cadeira reclinável, coloquei uma gravação da patética de Tchaicovisky, abri meu clarinete e toquei. Toquei outras canções que estudara e também um pouco de flauta. A sala estava forrada com minhas pinturas, na maior parte de mulheres nuas. Destacava-se especialmente uma pintura maior, um strip-tease num teatro de ópera. Meu pai relaxava e ouvia música enquanto lhe contava sobre minhas escolhas, procurando um modo de falar que possibilitasse uma ponte entre nós. Sabia o que ele queria ouvir e me esforçava para traduzir minhas paixões em algo concreto e que inspirasse nele a confiança que queria conquistar.
O diálogo com o mundo, em boa parte, não foi diferente disso. Muito raramente encontrei vozes e ouvidos para os quais não precisei dar explicações. Por fim acabei me acostumando a isso. Aprendi a traduzir meus desejos em conceitos palatáveis aos práticos do mundo e, acredito, com algum prejuízo para meu anjo sonhador. Arranjei um lugar onde ele sobrevive, e sempre que o chamo tem se apresentado, um tanto quebrantado, mas disposto a dar a sua contribuição para uma existência mais útil.
De fato, um dia de trabalho “prático”, reuniões, projetos, explicações convincentes, mesmo que remuneradas, não poucas vezes me dão uma sensação exata de inutilidade.
Creiam, para um artista é claro, um dia de ateliê é um balsamo de vitalidade, mesmo que termine com aquela estranha pergunta: Afinal, para que faço tudo isso?
Difícil de explicar, principalmente ao meu pai, naqueles dias, há 22 anos atrás.
Naquela tarde, em certo momento, ele me disse: “não sei o que fazer por você, nunca imaginei ter um filho assim.” Depois disso, despretensiosamente, olhando para duas pequenas pedras que havia talhado, soltou um vaticínio: “acho que com isso você pode ganhar algum dinheiro.”
Ignorei.   
Lutei com a pintura e com o clarinete o que pude, e não foi pouco. Lentamente o destino foi se apresentando e comprovando o que meu pai intuía e, não sei exatamente por que força de atração, as coisas se confirmaram. 
A escultura se tornou uma profissão e hoje cuido, não sem conflitos, dos meus dois anjos: o de dentro e o de fora. 
Daí, talvez, seja de fato o Kislansky a face voltada para fora.